domingo, 3 de janeiro de 2010

Vivas à Liberdade de Expressão - parte II

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Assistido os vídeos e ouvidas as palavras desse senhor Boris Casoy, mais uma vez dissemos em alto e bom som: Vivas à Liberdade de Expressão! Mas... espere um momento! Essa afirmação não seria um tanto reacionária? Claro que não! Essa ambiguidade nos foi necessáia, pois era preciso não subestimar a inteligência de ninguém. Era preciso não direcionar o pensamento - embora, o direcionemos de maneira sutil. Pois a livre manifestação de pensamento é, ela mesma ambígua. Pois podemos ouvir o que não queremos e ainda nos ofender com o que foi dito. No entanto, ela é necessária. Se não fosse por ela, como daríamos nomes aos bois? Se não fosse por ela, como distinguiríamos nossos amigos dos nossos inimigos? Como encararíamos de frente a realidade da vida social sem ilusões? Se não fosse por ela, como desciríamos do muro e tomaríamos partido sobre que lado estamos?

Sendo assim, não seria ousado nem absurdo pensarmos que, o que sempre houve foi a luta entre castas, e não luta entre classes. Esta é mais fácil de ocultar. Sobre ela temos, o século XX e a primeira década do século XXI inteiros, o exercício de seu uso enquanto objeto do ilusionismo econômico, ideológico e político. Bastava, um único indivíduo, "ascender de classe" para logo, intelectuais e formadores de opinião de prontidão, emergirem anunciando as maravilhas da ordem e do progresso. No entanto, ao longo do século XX e este início de século XXI, jamais alguém conseguiu ocultar luta entre as castas de quem luta por direito e de quem luta pela manutenção de privilégios. Eis as castas: de um lado pessoas que trabalham livremente e, de outro, pessoas que trabalham de modo forçado - também incluímos aqui todas aquelas que trabalham informalmente. A casta de trabalhadores e trabalhadoras livres, somente assim o são, por estimularem e pagarem mal, outros e outras para fazerem o trabalho que as primeiras consideram abaixo de sua dignidade. E, como prêmio de consolação, fingem valorizar quem exerce esse trabalho indigno.

O arcaico, porém atual, jornalista cujo áudio vazou, seu pedido de desculpas e os garis nos é exemplo claríssimo das castas que denunciamos. Boris Casoy, homem livre, pois tem o privilégio de escolher em que trabalhar. Garis, homens cativos, pois têm o direito de não escolherem em que trabalhar. De nosso lado, não aprovamos o que tal jornalista disse, mas ficamos felizes pelos seus resultados: ao mesmo tempo suas palavras expõem a luta de castas e identificam qual delas tal senhor se sente à vontade. Muito menos valorizamos a função de gari. Pois o trabalho não possui valor em si. O trabalho não dignifica ninguém só pelo simples fato de ser trabalho. Apostamos sim, em uma sociedade diferente, porém, apostamos em uma sociedade não-hierárquica, não-excludente e nada-hipócrita; onde jornalistas sejam diretamente responsáveis pelo seu próprio lixo - seja ele literal ou metaforicamente falando -; e mais! Apostamos em uma sociedade onde nenhum trabalho seja valorizado enquanto prêmio de consolação para pessoas excluídas se sentirem ilusoriamente dignas. Não há dignidade alguma em ser cativo e cativa para que outros e outras sejam livres.

Para uma ilustração a mais, vejam esse vídeo-caseiro feito por Vidrud:


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