sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Por uma Tecnologia da Autonomia

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Ao pensar a Autonomia, enquanto política da vida, por vezes, é preciso trilhar caminhos não percorridos pelas convicções do senso comum. Por outras, é preciso até mesmo levantar teses impopulares. Partindo dessas considerações, nossas reflexões pretendem estabelecer um recomeço. Abrir outros encaminhamentos à Autonomia. De onde estamos, a vemos como uma situação técnica, não substancializada e não utilizada enquanto metáfora.

Os passos fundamentais que levam para a nossa reflexão à Autonomia são os seguintes:
  1. A Autonomia não possui um valor intrínseco. Isso significa que ela não possui referenciais religiosos. A Autonomia é um valor construído historicamente, em que ações são valiosas por serem esta ou aquela, mas não por, simplesmente ser algo vinculado a algum valor divino. Trata-se de um valor enquanto ato de avaliar tais e quais ações.
  2. A Autonomia é única em ato e carrega consigo a impossibilidade de se substancializar. Ela não está vinculada a nenhum mal radical de "decadência da natureza humana". Não é algo a ser adiado, esperado, enfeitado ou ocultado. Ser autônomo ou autônoma é tomar conta de nossas vidas de maneira inadiável e fatual. Querer ser autônomo ou autônoma é querer continuar lutando.
  3. A Autonomia tem seu início em uma crítica radical contra ações que visam tutelar, subjulgar e determinar aceitações acríticas. Trata-se de trilhar em ato as possibilidades de construção de uma vida. Ao mesmo tempo, em que se assume a destruição de todas as práticas sistemáticas, estas que, visam se apropriar da vida, colocando-a em esquemas ditos já dados, ou já estabelecidos. Tais como: mercado de trabalho, cidadania, filho de Deus, etc.
  4. A Autonomia recoloca todas as questões na ordem da prática histórico-cultural: tempo, localidade e cultura. Atos de emancipação, estejam eles localizados em tempos passados, ou em localidades diversas, ou desejados, nos servem como elementos fatuais motivadores. Todos eles são possibilidades de existência ou idéias reguladoras. Frágeis e provisórias, como todo começo. No entanto, vigoroso por ser prática de cuidado diário.
A Autonomia pertence àquele e àquela que vive e morre segundo práticas de cuidado emancipatório. Seu viver jamais será um proteger-se indefinidamente em condições ditas já dadas. É uma postura fatual e atitude corajosa diante da vida. É estar à disposição do risco de se emancipar. Pois, instituições e pessoas que praticam atos para a manipulação da vida alheia, são numerosas, e vêm refinando sua agressividade por meio da astúcia dia após dia, pos séculos a fio.

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