segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Uma pequena homenagem à grandiosa vida de Hamdan Mahmoud Abu-Sitta

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Morreu na noite de ontem (domingo, 19 de outubro de 2009) o sr. Hamdan Mahmoud Abu-Sitta. Idoso palestino em condição de refúgio no Brasil. Não relatarei as condições de sua morte. Quero sim, lhe prestar uma homenagem. Portanto, falarei sobre Hamdan vivo. Para fazer honras à seu grandios espírito, me farei falar sob as asas da poesia. Que eu consiga fazer jus a Anthar, filho de Chaddad, nome sob o qual fui batizado. Eu, Anthar, filho de Abubakar, assim honro meu querido amigo Hamdan:

Nascido há 65 anos atrás, época ainda da livre Palestina, Gaza. Casas sobre o vale. Camelas de leite. Um gato manso. Perfume de almíscar. Pequenas palmeiras. Poças d'água deixadas pela chuva que caiu. Um bom dia. Assim, inevitavelmente, a liberdade seria sua marca de nascença - criança Hamdan. Beduíno, inquieto e diligente feito um artesão.

Avante em seu caminho. Bons passos. Firme confiança. Fonte de infindas experiências. Sua terra fora invadida. Obrigação em se livrar do desgosto. Obrigação em se movimentar rumo á sua sorte e fortuna - jovem Hamdan. Lançado a novos chãos. Genuíno acesso a todo mundo árabe. Não foi precisamente nestes chãos que se viram os mais esplêndidos frutos da cultura antiga? Foi preciso também sobreviver. Um olhar além, logo em espírito aguerrido e nutriz. Generosidade, coragem, lealdade, sabedoria.

Também fez o caminho da volta e do agradecimento: Iraque - Hamdan maduro. Dura marcha pelo deserto aonde qualquer palestino futuro, não pode ou não deve retornar. Atado o nó do presente, luta. Com todas as suas forças. Sua vida adquire a qualidade de ser ferramenta avante no caminho da sabedoria insurgente. Necessidade em inferir belos tempos vindouros. Uma vida árdua demais? Não! Se coisas agradáveis virão.

Porém, chega o outono da vida - Hamdan idoso. Guerreiro desejoso por descançar, enfim. A primavera da coragem, o verão da estratégia, o outono. Época de colher os frutos do espírito. A sabedoria atinge seu ápice. Fulgor tropical. No entanto, engano do encontro. A alegria do espírito não alcançada no Brasil. Mesmo assim, ama toda a generosidade e solidariedade do povo brasileiro. Na encosta de sua vida faz novas amizades. Raízes. Porém aéreas. Não é chegada a hora do guerreiro descansar. A vida quer mais. A exuberância é seu motivo. Quanto fôlego ainda tem esse espírito? Impressionante como não se entrega! Assim quiz sua natureza.

Então, de súbido, as delicadas mãos do destino se apresenta. Querem acolhê-lo. Ninho dos pássaros. Um último movimento. Um sorriso jubiloso. O último som de suas asas. Hamdan jaz. Um herói sem irmão gêmeo.

Handan Mahmoud Abu-Sitta (1944-2009)

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