segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Mercado livre, não livre mercado

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Façamos algumas digressões informais, só para começo de conversa, sobre o que chamamos de "mercado livre". Não sobre "livre mercado" - este grande pilar dos ativistas do capital. Pois bem, sem rodeios, perguntemos: que papel o dinheiro tem frente nossas inspirações por autonomia, liberdade e autodeterminação?

Dentro de uma sociedade cujo centro de gravidade é o capital, e a motivação individual é movida pelo "mercado", uma pessoa só conquista a liberdade se tiver dinheiro suficiente. De modo que, alcançada, se começa a ter poder sobre a vida de uma outra pessoa. O trabalho torna-se uma moeda de troca, de longe sentido como paixão pessoal. Não há espaço para o ritmo individual; não há independência de mérito; não se pode tomar decisões próprias; e participar desta forma de viver não é algo temporário. É uma sociedade organizada pela esperança do tornar-se financeiramente independente. Nela o dinheiro é seu símbolo central. E a operacionalidade desse símbolo envolve um modelo fechado, mais comumente identificado como "sistema capitalista", porém, o "sistema comunista" também assim pode ser identificado. Quando ambos modelos se baseiam na necessidade de uma autorizadade econômica centralizada de controle. Sem fazer uso imaginativo de alguma utopia paradisíaca, pensemos: há outro modo econômico de organização social?

Sim. Invertemos a noção de livre mercado para mercado livre. Feito isso, pensemos o "livre" do mesmo modo gerador da expressão "liberdade de expressão" e não o da "liberdade de mercado". Assim, a economia se torna um horizonte que deve conter, em igual relevância, todas as formas de economia, inclusive a capitalista. Um horizonte onde não há centro econômico nem economias marginais. Um horizonte onde a economia seja uma força organizacional.

Pensemos no que já existe: as redes de economia informal - o acesso à economia está disponível para todos, é um meio de liberdade de organização. É um fluxo de acesso e troca. Não dependente de um único canal avaliador. E o valor "trabalho" não ocupa uma posição de destaque na realização da soberania social. Frente nossas inspirações por autonomia, liberdade e autodeterminação, o dinheiro até ocupa um papel, porém, nele nada há de especial, irreversível ou insuperável.

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