domingo, 26 de julho de 2009

Dissecações psicológicas

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Preocupa-nos que a liberação dos indivíduos e, de seus respectivos grupos de afinidade e filiação, não se torne algo enigmático ou misterioso. Pois ambas características são próprias das Religiões. Propriedades estas necessárias apenas para o estabelecimento de relações de poder opressoras e, para a instauração do dever de obediência à respectiva autoridade dona do enigma e do mistério. Para nós os problemas de nossa existência não se reduzem a nenhum conceito, meio, ou mesmo fim que define o acontecer. São sim, forças em ato. São sentimentos em acontecimento.

Sendo assim, faz-se necessário que o modo de se lidar com a psicologia não seja concebida como algo distinto das ciências naturais. Não há valores preiamente estabelecidos de modo universal ou metafisicamente instaurado. É preciso coragem, experimentação e uma hermenêutica que ataque qualquer conformismo. Com isso nenhum psicólogo ou psicóloga será reduzido/a meros leitores/as de signos. Antes de tudo, somos personalidades simbiontes passionais e cambiantes em relação à nossa cultura, tempo e sociedade. Não estamos isentos/as da banalização do banal promovida por espaços de poder cuja função primordial é permanecerem ou garantir postos de trabalho.

Lidar com pessoas não pode ser uma obrigação boçal tormentosa. Muito menos é viver no mundo sem formar parte dele. A boa saúde do viver não é uma aplicação de teorias fabricadas em cenáculos filosóficos, científicos, religiosos ou mesmo concebido nas rodas sociais do senso comum. É uma dinâmica flúida entre raciocínio rigoroso, jovialidade metodológica, capacidade com intensão profunda, e descreça de que, sua pessoa e sua respectiva cultura ou erudição, seja critério e medida segura de todas as coisas. Pois bem, demos mais um passo em direção à uma Psicologia Autônoma, façamos com olhos atentos e dedos delicados algumas dissecações psicológicas:

Porque se esquece em dar a devida atenção às obras de pessoas de exceção? Como a obra de Otto Gross (1877-1920). Porque no exercício da arte da observação psicológica aliena-se sentenças de grandes mestres? Lembremos das "Observações Psicológicas" de Paul Rée (1845-1901). Será que há passagens espinhosas e desagradáveis demais nestes para que o espírito e a arte da psicologia não vá para além de suas expressões mais banais? Que as apontem Friedrich Nietzsche (1844-1900) em sua "Contribuição à história dos sentimentos morais" em Humano Demasiado Humani. Porque cátedras e institutos dessa ciência não se indagam sobre suas genealogias e suas relações com outras instituições? Por exemplo: quem criou o que a Universidade ensina hoje?; quais pesquisas recebem mais verbas?; porque é proibido pelo Conselho de Psicologia o exercício autônoma dessa ciência?; porque esta facilmente se associa e, de pronto, recorre aos sentimentos morais religiosos?

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