quarta-feira, 10 de junho de 2009

Psicohermenêutica

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Sutis enganos em psicologia atuam e multiplicam graves erros ideológicos. A metodologia, que lhe garante o status de ciência, foi desenvolvida no horizonte atribuído às certezas dogmáticas linguísticas (o sentido de termos tragos da psicologia de senso comum) e ao modo de pensar reduzido às frágeis e tímidas críticas (há demasiado respeito e adulação à nomes consagrados). A necessidade por outros percursos criativos e epistemológicos são impedidos ou por não se abdicar da ingenuidade de senso comum, ou por não ter bolsas de pesquisas, ou mesmo por falta de talento intelectual. Há tempos não se vê a tentativa de se buscar que a psicologia supere suas limitações. Há tempos que não se vê uma articulação poderosa entre clínica e conceitos fundamentais no arcabouço teórico dessa ciência. A psicologia não gerou mais um ou uma grande psicóloga capaz de consolidar um sistema conceitual e clínico original e necessário. Essa não-geração está determinada pelo totalitarismo e dogmatismo institucional de uma falsificação sistemática onde temas específicos e autores europeus e norte-americanos são postulados como modelos. Para que possamos seguir em frente, deixemos a timidez e o receio de lado e experimentemos algumas reflexões como ponto de partida. Uma outra psicologia é possível.

Analisar é propriamente interpretar. A própria psicanálise envolve mais interpretações do que análises. Por exemplo, a fala do paciente já é uma interpretação, analisá-la é outra interpretação. Interpretação da interpretação. Sendo assim, uma primeira adequação que somos levados a pensar é uma re-nomeação. Por que não a chamamos, a partir de então, de psicohermenêutica. Este nome aflora macroestrutras conceitual meta-psicológica muito mais significativas do que as vigentes. Outro exemplo, as teorias interpretativas dos sonhos, poderiam ser pensada como teorias interpretativas do sonho, ou de seus modos. Teorias estas determinadas pela relatividade social, tanto das implicações políticas da psiquiatria e da psicoterapia, quanto das significações oníricas históricas-socias. Sendo a percepção de que analisar é interpretar algo já interpretado, nenhuma análise pode ser hegemônica. A hermenêutica psicológica jamais deve ser expressa como imposição dos próprios pré-conceitos. Sua realização se encontra mais no contexto de jogos de uma democratização completa entre interpretações do que em uma espécie de articulação hermética unilateral de um saber canonizado institucionalmente.

Imaginemos como novos psicólogos e psicólogas livres atuariam em suas clínicas? frente às angústias, às fobias, aos traumas e aos sintomas daqueles pacientes cujos problemas foram gerados pelo patriarcado, pelas estruturas hierárquicas, pelo contexto familiar onde a situação da mulher e da criança são desatrosos, pelo casamento como satus social, pela carreira como imposição econômica, pela repressão contra indivíduos que decidem sobre sua vida, em especial no que se refere ao uso de drogas, ao aborto e à eutanásia, e pela destruição da liberdade individual referente às normas sociais e tradicionais.

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